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| Livro narra os anos de Claudio Guerra como agente de depressão . Foto: Reprodução |
O regime
militar, que esteve à frente do Brasil entre 1964 e 1985, poderia ser comparado
facilmente ao nazismo. O paralelo feito por Frei Betto, colunista da Brasil de
Fato, em seu artigo "A face nazista na ditadura militar brasileira" é
baseado na revelação do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social
(DOPS - criada para manter o controle do cidadão e vigiar as manifestações
políticas na ditadura) Claudio Guerra, feita no livro "Memórias de uma
guerra suja", onde relata o caso dos corpos que haviam sido incinerados na
Usina de Cambahyba em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de
Janeiro.
Segundo o
depoimento de Claudio aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, que deu
origem ao livro, o “plano" era despachar os corpos.
"Em
determinado momento da guerra contra os adversários do regime, passamos a
discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina.
Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa
estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos
clandestinos, a tortura e as mortes”, afirmou.
No forno da
usina Cambahyba – de propriedade de Heli Ribeiro Gomes, ex-vice-governador do
Rio de Janeiro entre 1967 e 1971, já falecido - foram incinerados Davi
Capistrano, o casal Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva, João Batista Rita,
Joaquim Pires Cerveira, João Massena Melo, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão
Filho, Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira.
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| Usina de Cambahyba, em Campos dos Goytacazes . Foto: Inepac |
Ainda segundo o
delegado, o serviço prestado trouxe algumas vantagens econômicas para o local
de incineração.
"A usina
passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons
serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica, e os usineiros da
região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles
tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia
prestar", declarou.
Desapropriação
Em 2012, o
Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) recebeu uma decisão favorável da
justiça Federal de Campos para prosseguir com a desapropriação do complexo de
sete fazendas de aproximadamente 3500 hectares capitaneado por Heli Ribeiro
Gomes, que continha a usina Cambahyba. O processo já vinha se arrastando há
mais de 15 anos e enfrentou diferentes tentativas de anulação patrocinadas
pelos advogados da família.
Por Bruna Lopes e Flávia Manoella : UVA PASSA
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