segunda-feira, 31 de março de 2014

Ares de nazismo na ditadura militar brasileira

Livro narra os anos de Claudio Guerra como
agente de depressão . Foto: Reprodução
O regime militar, que esteve à frente do Brasil entre 1964 e 1985, poderia ser comparado facilmente ao nazismo. O paralelo feito por Frei Betto, colunista da Brasil de Fato, em seu artigo "A face nazista na ditadura militar brasileira" é baseado na revelação do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS - criada para manter o controle do cidadão e vigiar as manifestações políticas na ditadura) Claudio Guerra, feita no livro "Memórias de uma guerra suja", onde relata o caso dos corpos que haviam sido incinerados na Usina de Cambahyba em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro.

Segundo o depoimento de Claudio aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, que deu origem ao livro, o “plano" era despachar os corpos.

"Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime, passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes”, afirmou.


No forno da usina Cambahyba – de propriedade de Heli Ribeiro Gomes, ex-vice-governador do Rio de Janeiro entre 1967 e 1971, já falecido - foram incinerados Davi Capistrano, o casal Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva, João Batista Rita, Joaquim Pires Cerveira, João Massena Melo, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira.

Usina de Cambahyba, em Campos dos Goytacazes . Foto: Inepac
Ainda segundo o delegado, o serviço prestado trouxe algumas vantagens econômicas para o local de incineração.

"A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica, e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar", declarou.

Desapropriação


Em 2012, o Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) recebeu uma decisão favorável da justiça Federal de Campos para prosseguir com a desapropriação do complexo de sete fazendas de aproximadamente 3500 hectares capitaneado por Heli Ribeiro Gomes, que continha a usina Cambahyba. O processo já vinha se arrastando há mais de 15 anos e enfrentou diferentes tentativas de anulação patrocinadas pelos advogados da família.

Por Bruna Lopes e Flávia Manoella : UVA PASSA

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