![]() |
| Imagem mostra manifestações na época do Golpe no Rio de Janeiro . Foto: Divulgação |
Cabo Frio, há décadas
atrás, já era conhecida por ser um local de sindicalismo muito forte, existindo,
assim, uma relação muito grande dos socialistas da cidade com os partidos de
esquerda do Rio de Janeiro. Esses políticos comunistas faziam muitas palestras
na cidade do interior do Estado, muitas delas nas casas de políticos locais. Alair
Corrêa, eleito inúmeras vezes prefeito em Cabo Frio, tinha cerca de 10 anos na
época do golpe, entregava o jornal comunista "A voz do Operário" na
região e acompanha a luta do pai por um país democrático, longe de atos
autoritários. Alair comenta como aconteciam essas reuniões políticas por Cabo
Frio e de como a cidade entrou na rota de refúgio para os censurados da capital
do Estado.
![]() |
| Alair Corrêa relembra os tempos de ditadura em Cabo Frio . Foto: Divulgação |
"Cabo Frio era um
local onde o sindicalismo era muito forte, então existia uma relação muito
grande dos socialistas da cidade com os do Rio de Janeiro. Eles faziam muitas
palestras aqui, na minha casa houve muitas palestras, então eles se
acostumaram, a nos momentos de pressão, das tentativas de prisão e até mesmo
prisões vir para Cabo Frio, eram acolhidos nas casas dos cabofrienses. Assim,
Cabo Frio se tornou um caminho de fuga para esses socialistas e comunistas", conta Alair.
A pressão do golpe era forte em Cabo Frio. Houve muitos
protestos espalhados pela cidade, além da existência de sindicatos que
proporcionavam força para as manifestações da população trabalhista. Alair
Correa presenciou vários desses momentos na cidade.
"Havia protestos, manifestações, houve a caminhada pelo
petróleo há 55 anos atrás, a caminhada “Queremos luz”, que eram os
trabalhadores com tochas acesas, porque não havia luz na cidade, chegando depois
os geradores. Houve invasão da delegacia, tacaram fogo lá, tiraram presos
políticos da delegacia. Eu presenciei isso duas vezes, quando foi levado para a
delegacia um policial que matou dois trabalhadores comunistas, que era onde
fica o Corpo de Bombeiros hoje em dia. Cercaram a delegacia dos dois lados,
muitos tiros e fogo. E tudo isso em razão do forte sindicalismo e comunismo da
cidade. Havia o Sindicato dos Estivadores, dos Arrumadores, depois o Sindicato
da Álcalis, dos Pescadores, dos Trabalhadores da Construção Civil; e a
resistência mesmo era por parte dos Sindicatos dos Arrumadores e dos
Estivadores" relembra o atual prefeito de Cabo Frio.
Muito se especula pela existência de sessões de tortura na
Base Naval de São Pedro D'Aldeia, cidade vizinha a Cabo Frio. Militares antigos
negam essa teoria. Fato é que o pai de Alair era político de esquerda, preso
três vezes e torturado na capital. O prefeito explica que, na Base Naval de São
Pedro D'Aldeia, somente ocorriam prisões.
"Não, não houve tortura aqui. Tortura era no Rio de
Janeiro, para onde eram levados os comunistas e socialistas. Uma maneira de
tortura muito comum na época era com a ponta de bambu bem afiado nas unhas.
Falo com propriedade porque meu pai foi preso três vezes, e a tentativa de
arrancar dele nomes de comunistas e socialistas era na base da pressão. Todos da Região dos Lagos foram presos na
Base Naval de Cabo Frio e levados para Caio Martins, em Niterói, nenhuma
tortura na Base de São Pedro, apenas prisões", concluiu.
Por Michelle Mattos e Alessandra da Cruz :: UVA PASSA


Nenhum comentário:
Postar um comentário